segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Heresias



Ao ato de escrever me entrego. Muito mais recebo do que revelo. Muito mais me curo do que amenizo. Não tenho talento, nem fama, nem pretensão; apenas escrevo. Dou rumo às ideias que brotam nas teclas dos dedos e da alma. Apenas escrevo. Um grito em negrito no branco da tela.

Não me atenho às regras, nem à métrica, nem à rima; apenas escrevo. Tenho urgência e me estreito na brevidade dos pensamentos que vêm e que vão, livres. 

Quisera expressar beleza, consolo, alívio e um "pá" de coisas mais. Alivio-me no egoísmo do que não sou, nem sei. Heresias, eu diria. Tu dirias? Não! Somente os fortes admitem o quão insanos são.

Não sigo referências, não tenho precedências, sou órfã de influências, não me preparei em academias; apenas escrevo. Sou o que sou. Sou o que escrevo. Sou? Sou de incertezas, é isso que sou.

Nas palavras desmedidas transpareço contradição. É uma questão de opinião. Guardo a minha. Respeito a tua. Nos entenderemos. Não me desmereça. Apenas escrevo!








  

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Velhas Fotos - Tequila Baby

Às vezes ouço vozes
E outras eu converso
Com alguém que não está aqui

Revivo toda noite
Na beira deste mar
Olhando as velhas fotos que eu bati



Eu sei
Que isso não traz você de volta para mim
E olhar você pela janela é ilusão
Mas meu princípio ainda esta longe do fim


Minha mente está embriagada
Tentando entender
Porque eu lembro de coisas que eu não vi

Que danem-se os poetas
E os loucos desvairados
Que rasgam os retratos para esquecer

Alegria

Ela passou por aqui, brevemente, e se perdeu
se foi sem olhar pra trás
desprezo à lágrima que verteu

É triste olhar pra frente
nada de promessas,
a realidade afronta

Olhos úmidos de esperança,
talvez um talvez bastaria
por um instante, só por um instante
fugaz

Os momentos presos
na caixinha da memória
guardados no coração

Te levo comigo
contrabandeio lembranças
de um dia, de um mês, de anos,
de vidas

Ela passou...
Cadê a alegria que estava aqui?
Te levo comigo
Contrabando!


Sandra Lopes - 05/10/2011  

domingo, 21 de agosto de 2011

Do lado de lá

Sempre penso em como eu agiria caso tivesse nascido homem. Penso nisso em relação às relações afetivas, pois acho que para o sexo masculino é bem mais fácil, ou, pelo menos, não complicam tanto. Será?  

Nós mulheres sofremos, idealizamos, torcemos, choramos (e muito), vibramos, fazemos cenas dignas de Oscar, mas, enfim, vamos ficando ressabiadas com cada decepção. Talvez nos tornamos um pouco homens no estilo de pensar. Será?

Talvez o problema esteja na idealização. Idealizamos a relação perfeita, atitudes gentis, cavalheirismo, romantismo, companheirismo, uma série de características tão incomuns na atualidade. Será que estamos querendo demais? 

Os tempos mudaram, eu sei. Porém, certos valores não deveriam mudar. Toda mulher espera ser amada, desejada e, principalmente, respeitada. Ter os sentimentos respeitados é a maior prova de amor que o homem pode dar e, vice-versa. 

Caso fosse homem, dispensaria cantadas vulgares e sem graça, não sumiria do nada depois de tanto ter insistido por um encontro, não contaria vantagens aos amigos e a ninguém, quem é realmente bom não precisa alardear. Não despertaria paixão se não tivesse intenção de corresponder. Dividiria alegrias e tristezas sem achar que isso é fraqueza. Dançaria juntinho, faria com que a mulher se sentisse especial e única, me preocuparia em ter um bom papo, nós mulheres, não nos apaixonamos por um tríceps, abdomen definido etc e tal, nos derretemos, sim, por atitudes concretas, pelos olhos nos olhos, pelo coração aos pulos, pela honestidade...e muito mais.

As mais pessimistas dirão ao ler este texto que não existe homem assim. Outras dirão que eu seria um homem banana. E terá quem diga que seria gay. Fatalmente me perguntarão: em que mundo você vive? Depois de todas estas opiniões eu me perguntarei (chateada) o problema está realmente nos homens? Será?



Sandra Lopes - Agosto de 2011

   

    

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Do nada?

Do zero começo. Um ato arriscado, posso ser traída pelas palavras, revelar além do que suponho. Há perigo na exposição quando não se  tem um rumo definido e quando se sente uma saudade profunda que nem sabemos direito de que ou de quem. Seria saudade de nós mesmos, de uma época que já passou? Ou sentimento antecipado dos dias atuais? Como saber se serão melhores ou piores? O certo é que cada vivência deixa saudade. 

Viver é arriscar-se e se surpreender com os resultados de cada ação, se não agirmos como saberemos? Fácil falar, mas muito difícil concretizar estes pensamentos. Nós próprios nos sabotamos com conceitos errôneos de felicidade. O que te faz feliz? O que me deixa feliz?  Ah! Se tivessemos a clareza necessária para perseguir a tão almejada vida feliz.    

Muito me chateia quem nunca está satisfeito com o que tem. Se tem isso quer aquilo, se tem aquilo quer o que não é seu, vivendo num círculo vicioso de queixas e lamentações e, certamente, não se dá conta de quantas coisas boas lhe acontecem diariamente. Acreditar ser merecedor do melhor não significa que por si só acontecerá. O que tens feito para que a felicidade seja real? O que tenho feito? 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pra toda a vida


Há muito evitava atualizar a idade da pessoa que mais amo: minha velha, minha coroa, minha rainha - minha mãe. Julgava a fuga a maneira mais apropriada de não me apropriar do tempo transcorrido. Sempre fora sofrido a consciência do tempo passando, decidi não contabilizar e fechar os olhos para os efeitos, para o inevitável ciclo da vida.



Mulher guerreira, cheia de vitalidade, mas o tempo abate com sua mão pesada qualquer ser mortal. É a morte que temo. Não a minha, a das pessoas que amo.



Tirei um tempo a lhe observar, a olhar a tranquilidade da sua maturidade, tivera filhos, hoje crescidos, tivera bons momentos e ainda os têm, tivera um pouco do céu e muitas tempestades, porém se manteve firme, calma, serena, com certeza a base da família, sempre fora.



Sempre a tive como exemplo. Cresci e me decepcionei com algumas de suas atitudes, até entender que mãe também erra, que comete pecados como qualquer outro. Acho que hoje levo a vida muito mais a sério do que ela, engraçado isto. Voltou à meninice e não desperdiça o tempo que ainda lhe resta.

Penso que os anos deveriam passar preguiçosamente para as mães e que deveria ser terminantemente proibido as suas mortes. É, mãe deveria se eternizar e jamais faltar para seus filhos. É claro, só as boas mães, as que exerceram a sua maternidade com supremacia. Falhar todos falhamos, mas elas, muitas vezes, falham pelo excesso de amor.



Hoje a vejo com os cabelos embranquecidos e a ajudo manter a cor da vaidade, característica invejável, aliás muito mais cuidadosa consigo agora que os seus seios murcharam, que as formas não são mais as mesmas, mas, sabe que, por boas causas e jamais reclamou disso. A ânsia de viver corre nas suas veias, aproveita cada momento com a urgência que os jovens não entendem.


Paro e observo minha velha, minha coroa, minha rainha - minha mãe - e tento apreender tanta vida e tanta doação. O nó na garganta não se desfaz, assim como o pensamento: mães deveriam ser eternas! Sofro de saudade antecipada, porque nem todo o tempo ainda restante será suficiente para que eu me canse de seu amor.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Subjetividade exposta

Silencio-me, quero escutar os ruídos de minha alma. Há momentos de que necessito me distanciar do externo para atender e entender aos apelos internos, que não são poucos. 

O silêncio, que para muitos é inimigo, trago como aliado em horas de confusão. Olhar para si, olhar para dentro, nem sempre é fácil, nos confronta com nós mesmos e essa é uma das batalhas mais reais. 

E, nesta batalha que é viver, confronto os meus medos, meus sonhos e desejos mais profundos. Me revelo  sonhadora, romântica, donzela na torre à espera do príncipe, submissa, idealizadora ou, até mesmo, fera, leoa, devassa, vingativa e por que não um pouco cruel. Serei o que despertares em mim, podendo ser tudo isso ao mesmo tempo. Sou um cardápio variado de sentimentos, mas muito firme nas minhas convicções. Não, não há motivo para preocupações sou transparente como água saindo da nascente. 

Valho-me mais uma vez das palavras de Martha Medeiros neste momento de introspecção, não é ousadia citá-la, mas, sim, uma demonstração da grande admiração que tenho pelo que ela escreve:

  PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos


Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão


Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci


Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante

Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Sandra Lopes - 03/07/2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Naufrágio


Para não ser repetitiva não falarei do tempo, nem da espera, nem de sonhos, nem de flores ou de amores. Começo mesmo sem rumo. Naufrágio das ideias. Talvez fale de saudade, de partida, de decepção, de dor, de angústia, de solidão... Abandono do otimismo? Por um tempo ou muito tempo, não sei. Nem sei se algum dia cheguei a ter. Talvez fale sobre as coisas que eu entendo. Porém, há muito mais que eu não entendo. Ignorância. E, por ignorar sou nômade buscando daqui e dali o ponto certo, o equilíbrio. Não busquem nas minhas palavras a direção, não há amparo, não há solução.

Confusa? Talvez. E quem não é? Se não fossemos tão perdidos simplificaríamos o viver. Mas somos humanos, espiritualmente inacabados, assim, temos  aval para errar e acertar, se arrepender e consertar, magoar e pedir perdão, ser magoado e perdoar. Vejo aí uma ponta de otimismo: minhas crenças. Nem tudo está perdido. Eu creio.  

Por enquanto lamento não poder falar de amor, de esperança, de otimismo, de sonhos. Por enquanto me calo, me mudo e, mudo, nessa busca incansável de ser. Não esperem de mim aquilo que não puderem também me oferecer. Com isso, afirmo que todas as relações são movidas por interesses. Diriam-me: interesseira! Me auto defino interesseira. Quem inventou as palavras com tantas interpretações? Pois é, acabo de criar um novo significado nada pejorativo, sou interesseira no sentido de interessada, não no sentido de ser egoísta, de só visar o meu próprio interesse.

E quando interessada, me interesso por teus dias, tuas tristezas e alegrias, por teus assuntos, pelas tuas leituras, pelos teus sonhos, pelas tuas angústias, pelos teus passos, pelos teus gostos e desgostos, pelo teu trabalho e lazer, pelos teus olhos, teu sorriso, tuas lágrimas, teus pensamentos, tuas crenças, tua religião, teus erros e acertos...Porém, não há relações sem trocas, diante de um incisivo vestígio de desinteresse parto para o nada e do nada recomeço. 
Difícil mesmo é não falar de amor...


Sandra Lopes - 30/05/2011



A COISA
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
Mario Quintana (Caderno H)

 





  

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A IMPONTUALIDADE DO AMOR - Martha Medeiros


Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

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Sem inspiração para postar um texto próprio.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Ou isto ou aquilo, Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil


Desde pequena este poema da Cecília Meireles me encanta, pois com palavras simples ela traduz a complexidade que é viver. A vida e suas escolhas. Nós na vida com nossas escolhas. E, na minha inocência infantil não tinha noção da grandiosidade das ideias contidas nestes versos.

A vida é feita de escolhas, conscientes ou inconscientes. Somos frutos das nossas escolhas, sim. Somos o reflexo das nossas boas ou más decisões. Até o ato de abster-se é escolha.

Incrível é o fato de eu ter perdido todo o texto que havia escrito na tentativa de convencê-los. Dessa forma, por não acreditar em acasos, escolho ocultar meus argumentos.






quarta-feira, 11 de maio de 2011

BONS AMIGOS


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!


Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!


Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!


Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!


Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!


Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis
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Com este poema homenageio os meus amigos/minhas amigas. Agradeço a Deus todos os dias por vocês existirem...



terça-feira, 10 de maio de 2011

Súplicas de um coração cheio


Acordei com o reclame abafado das minhas gavetas e do meu coração. -Livre-se do supérfluo! -Se desfaça do que estás carregando desnecessariamente! Bem que tentei continuar ignorando a súplica, mas eles tinham razão. Vesti-me de coragem e investi na árdua batalha do desapego. Entre coisas insignificantes e outras de enorme peso sentimental fui me desfazendo um por um, com a despedida fúnebre que cada objeto, com sua representatividade, merecia. Reli cartões, cartinhas, recados, entrelinhas. Senti o cheiro da época feliz mas que me tornara triste, e se me tornei triste foi pela não aceitação do fato de que tudo um dia acaba.

Suspendi por anos a tarefa de me desfazer de certas bagagens que carrego comigo, empilhados de papéis e lembranças. Evitei o máximo de tempo que podia evitar, ou que, negligenciosamente evitei. Tenho dificuldades em me desfazer de objetos, papéis, cartões, livros, exercícios, sempre penso que posso necessitar deles em alguma emergência.

A medida que aliviava a carga material das gavetas e da estante fui me dando conta do quanto aquilo era imprescindível ser feito; com isso havia aberto vaga para novas situações, novas emoções, novas recordações, para as quais não estava dando espaço. 

Nada a lamentar a não ser o tempo  desperdiçado ao negar o chamado dos compartimentos cheios e de um coração disposto a se arriscar de novo, mas que precisavam estar limpos e preparados para novos estoques emoções. De alma renovada sigo... o que foi passou, o que virá se tornará especial, até que um dia se acabe. 



Sandra Lopes - 10/05/2011








quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tamanho é documento!?

Bastante sugestivo o título, não é? Pois é, afirmo e explico por quê. Quando éramos crianças pequenas, pelo que eu lembro e, por sinal, me recordo muito bem, admirávamos os adultos, os considerávamos gigantes, principalmente os nossos pais, e eram, tendo em vista a nossa estatura. Tudo o que queríamos era sermos gigantes também. Ou seja, o tamanho fazia diferença.   
Quando adolescentes a preocupação aumenta, pois é onde afirmamos nossa personalidade, buscamos o nosso espaço, embora ainda adultos continuamos a busca, mas na época não sabíamos disso. Almejavamos grandes amigos, tínhamos grandes ídolos, curtíamos grandes músicas, tudo era pra já e eram grandes as aflições. Sofríamos, até quase morrer, pelo menino que nem notava a nossa presença. Batíamos de frente com nossos pais, porque, para nós, era grande a diferença de pensamento. Ficávamos horas em frente ao espelho tentando achar uma maneira de camuflar a grande espinha que saíra bem no dia em que queríamos chamar a atenção daquele garoto, aquele por quem quase morríamos de amor.
A medida que o tempo passa apenas mudamos o enfoque, mas ainda queremos uma grande profissão, um grande amor, uma grande família, a qual não seja necessariamente grande em número, mas sim, de qualidade. Temos grandes grandes utopias, como: ainda existirão grandes políticos os quais farão grandes coisas pelo nosso país, ainda existirão grandes atos que transformarão o mundo para melhor, ainda descobrirão que a inteligência serve também para construir coisas boas, ainda todos notarão que não se vive em uma ilha e que precisamos uns dos outros, grandes ou não. Ainda perceberemos o verdadeiro sentido da frase há muito dita: "ame o outro como a si mesmo".  
Não, não te sintas frustrado(a) com o rumo do assunto, me desculpe se imaginastes, a partir do título, grandes revelações. Não, nada de grandioso para impactar, até porque falar de sexo se tornou ridiculamente banal, deixemos para o horário nobre, para a discussão entre amigos(as), para quando não se tem mais nada a pensar. Não que falar do assunto seja problema, é que neste momento tenho grandes coisas para pensar, expressar, sonhar, buscar...já que somos do tamanho dos nossos sonhos. É, tamanho é documento, sim! Pense pequeno pra ver aonde irás parar!?

Sandra Lopes-05/05/2011
      

domingo, 1 de maio de 2011

Não faz sentido


Não faz sentido endurecer sentimentos e atitudes em nome do orgulho. Não faz sentido tornar as coisas complicadas enquanto que é a simplicidade que é aguardada. Não faz sentido sofrer secretamente a ausência provocada, forçada. Não faz sentido forçar uma raiva enquanto o coração se despedaça. Não faz sentido desperdiçar tempo com mágoas, com mesquinharias.

Não faz sentido não arriscar por medo do incerto. O que é certo? Apenas a certeza de que um dia, sem mais nem menos, partiremos. Faz sentido se preparar para a partida. Não faz sentido se envergonhar por tentar, por errar. Faz sentido continuar tentando. Não faz sentido se sentir vítima. Faz sentido compreender que os acontecimentos ou situações surgem para a nossa evolução. Não faz sentido não evoluir.

Não faz sentido fazer cobranças descabidas aos outros. Faz sentido policiar as próprias ações. Não faz sentido perder oportunidades, elas podem não voltar a acontecer. Não faz sentido chorar sobre "o leite derramado". Faz sentido evitar o seu entorno e, se não for possível, que se aprenda com isso. 

Não faz sentido implorar atenção. Faz sentido conquistar o lugar no espaço. Não faz sentido chantagem emocional. Faz sentido ser agradável e as coisas ou pessoas vêm até nós. Não faz sentido reclamar da vida o tempo todo. Faz sentido mudar o que não está bem sem estressar todos a volta. Não faz sentido julgar as outras pessoas. Faz sentido se colocar no lugar delas e formular uma opinião com propriedade, ou não formular nada. 

Não faz sentido se fechar para o perdão. Faz sentido dar a chance ao outro se redimir. Não faz sentido atirar pedras. Faz sentido se dar conta das próprias falhas. Enfim, entre tantas coisas sem sentido, penso que:  o que faz sentido pra você pode não fazer para mim e vice-versa, mas deve haver respeito nisso.






segunda-feira, 25 de abril de 2011

Igual a Você

Eu sei que nós dois éramos bons amigos
Você conhecia meus medos escondidos
Eu guardava segredos proibidos
Estávamos ligados, comprometidos

Algumas vezes menti pra te proteger
Você me fez fugir
Quando o melhor era mesmo correr
Eu fazia você sorrir
Na hora exata de chorar
Você me ensinou a pedir
quando eu insistia em mandar


Agora você tem novos amigos
Normal que um dia isso fosse acontecer
Só não me faça te odiar
Não me peça para esquecer
Não espere que eu seja igual a você


Algumas vezes menti pra te fazer correr
Você me fez fugir
Só pra me proteger
Eu fazia você sorrir
Quando insistia em mandar
Você me ensinou a pedir
na hora exata de chorar.
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Parece-me que Nenhum de Nós tem a trilha perfeita para cada momento da minha vida. Sou fã cada vez mais!
 
 
 
 
 
 

domingo, 24 de abril de 2011

Das coisas que me alegram...

Abrir a janela e ver um lindo dia de sol
Abrir os olhos para as novas oportunidades que surgem
Perceber os erros cometidos, ou não, e me perdoar por isso,
Que ao ser humana posso cometer enganos, mas que não sou obrigada a conviver e nem me culpar por eles
Me alegram as vitórias, sejam grandes ou pequenas, minhas ou não,
Os amigos de anos ou de agora, as amizades
Me alegra não guardar rancor, a capacidade de perdoar
A família, as conversas fiadas, o riso até do que não tem graça
A música, a dança, a poesia, o dom
Ensinar, aprender
A inteligência, a saúde
Me alegram os sonhos,
Os livros, os filmes, o trabalho
Os pássaros na minha janela
Os dias cinzas, o banho de chuva
A bebida, a culinária, o paladar
As reuniões  com as amigas
Me alegra a intuição, o sexto sentido
A sinceridade, a fidelidade
Ter o coração renovado e disposto a ser ocupado
Me alegra a novidade, o novo
A segunda chance, a terceira, a quarta...
O respeito pelo que já foi
A ironia, a inteligência
A verdade, a liberdade, as opções
A certeza de que para tudo se tem um jeito
A dúvida que me permite ir devagar e, quem sabe, acertar mais

Me alegra tudo isso e muito mais...   


   






Você Vai Lembrar De Mim - Nenhum de Nós

  Quando eu te vejo
Espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo
Minha boca encosta
Em tua boca que treme
Meus olhos eu fecho
Mas os teus estão abertos





Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois


Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Explica tudo, sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois


Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.


Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Que explica, tudo sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias


Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.





sábado, 23 de abril de 2011

Das coisas que me entristecem...















Me desfazer das fantasias pautadas na esperança de uma realidade melhor, me entristece...
Deparar-me com o julgamento frio a meu respeito
Esconder-me como auto-proteção e
Ter certeza que o melhor é assim, me entristece.  

Me entristece não haver quem me contra-diga:
-Você se equivocou! Pode relaxar! Nem tudo é ruim. Pode confiar...
Quem só olha para si
A inflexibilidade
A frivolidade dos sentimentos, das palavras, dos pensamentos.

Me entristece ter certeza de que é melhor assim: sem ilusões!!!





segunda-feira, 18 de abril de 2011

"MANIFESTO: QUERO MEU LADO MULHERZINHA DE VOLTA..."

Primeiramente devo dizer: a culpa não é de ninguém.
Não me atirem pedras, nem queimem meus sutiãs que me são tão raros, caros e meus.
Ando pensando muito na questão ying/yang na sociedade e dentro de...nós e o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos papéis, nem homens satisfeitos com um ter-que-ser que não combina com seus antigos moldes.  
O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, e loucos de saudade.
Eu quero ser mulher de novo, estou cansada de virar homem tantas vezes ao dia, tendo que resolver a vida e o mundo.
Tenho que trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, recitar Vinícius, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinquenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar a família e amigos, colocar os quadros novos na parede, responder e-mails e estar Linda e com a pele fresca para quando aquela pessoa que você joga charme há meses te chamar pra sair.
Ok, você toma banho em segundos, reclama com sua mãe enquanto procura o que vestir (a eterna dúvida do primeiro encontro) e tenta se focalizar em ser mulher.
Apenas mulher.
E o interfone toca e você está com duas blusas na mão, nenhum sapato no pé e uma interrogação bem no meio DA maquiagem.
O espelho não mente: você está ligeiramente Linda, confusa e cansada.
Mas pega a bolsa e vai...(afinal, arriscar é viver).
No caminho você pensa, enquanto passa o batom: o mundo está invertido ou será que sou eu?
E você não encontra respostas mas encontra o cara.
Parado.
Mudo.
Com um olhar bonito e alguma expressão que você não entende.
Aí tem a mesma imagem de minutos atrás.
Vê o ponto de interrogação bem no meio DA cara dele.
O cara não sabe o que fazer.
Não sabe se abre a porta do carro, se escolhe o restaurante, se te beija, se te come ou manda embrulhar, se manda flores no dia seguinte, se conversa sobre poesia, sobre filhos ou musculação, tudo porque ele está na dúvida se você vai achar lindo ou se vai rir na cara dele.
Tudo porque ele está perdido, mas...caramba, você também está!
Não sabe se ele tem a mente aberta como aparenta ou se é mais careta que seu tio.
E ninguém se percebe.
O cara te acha inteligente, gostosa, divertida, e acha que você é moderna demais pra gostar de uma mensagem fofa no dia seguinte.
Meninos, é mentira.
A gente gosta.
Tem gente que pode não gostar, mas eu gosto.
Vivemos num momento de transição e conflitos, mas FICA difícil de entender.
Nada mais normal.
Eu, por exemplo, trabalho, tenho minha Casa, sou forte por acaso, mas tenho meu lado mulherzinha que não me deixa.
Sou emotiva, sensível, choro à toa, rodo a baiana mas espero o telefone tocar, tenho meus nhem nhem nhens e estou cansada.
Cansada de ser racional.
Cansada de ser ´bem resolvida´, cansada de tomar a iniciativa, cansada de ser homem em cima do salto.
Por isso, em Nome do meu equilíbrio,
DA falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir-e-fechar de portas, eu me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.
Rapazes, sejam fortes e persistentes, nós somos complicadas, mas contamos com vocês!´
Autoria: [Marta Medeiros]

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Postei este texto da Martha Medeiros por ser sua fã e por pensar exatamente como o texto retrata. O assunto fecha com o que escrevi em: Salto alto e cinta-liga.
Perfeito o texto dela.   




domingo, 17 de abril de 2011

Ensinamentos



Me ensinaram a ser forte, mas não me disseram como estancar a dor.

Me ensinaram a lutar e vencer, mas não me ensinaram a lidar com a frustração das derrotas.

Me ensinaram a perdoar, mas não me disseram que eu poderia necessitar de perdão.

Me ensinaram a não julgar, mas não me disseram que eu seria julgada.

Me ensinaram a acertar sempre, mas não consideraram que sou passível de erros.

Me ensinaram a amar, mas não me disseram que encontraria tanto desamor.

Me ensinaram a ser compreensiva, mas não me disseram que por vezes eu trocaria os pés pelas mãos.

Me ensinaram a doar, mas não me explicaram sobre o egoísmo.

Me ensinaram a bondade, mas não me disseram que a maldade impera.

Me ensinaram tantas coisas nobres, mas as piores aprendi a enfrentar sozinha.



Sandra Lopes - 17/04/2011