domingo, 16 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O amor acontece, é gratuito, é espontâneo. Não cabe chantagens, não cabe escândalos.O amor é calmo, tranquilo, seguro. Ninguém mata por amor. Ninguém morre por amor. Mata-se ou se morre pela falta, pela ausência, seja de amor a outra pessoa seja, e o que é mais provável, pela falta de amor próprio.
Banalizaram o verbo amar. Espanta-me a facilidade com que se diz "eu te amo", simples como escovar os dentes. Ama-se hoje um ou uma, amanhã outro (a), sem ética, sem cuidados. Não ouso colocar aqui dúvida. É fato.Não é amor. Diante desta leviandade imagino um "amor" que pode ser comprado no supermercado, por exemplo, assim como são comprados produtos de limpeza, de higiene, cestas básicas etc. "Não compre gato por lebre". O verdadeiro amor acontece, é gratuito, é espontâneo e , até que me provem o contrário, acontece uma só vez na vida. O que se vê muito por aí é o genérico, imitação barata de algo genuíno.
Nem tudo aqui são vivências próprias, é o que observo, é o que leio. Se incomoda? Certamente, falta-te a capacidade e a sensibilidade de entender sentimentos nobres aos quais aqui me refiro. Não se escreve o que não se sente e muito menos se compreende aquilo que não temos conhecimento. Para falar de amor, por exemplo, há que se ter vivido, há que se ter experimentado ser amada.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Surrealidade
Sou da noite. Sou do sereno. Admiro o silêncio das ruas mortas. Aprecio a ideia de que o mundo, ou parte dele, dorme. O fascínio está na calmaria, nos sons, nas horas que passam vagarosas.A noite nos revela a chave de um novo despertar, de um novo olhar sobre o que já se foi.
Não te desperto porque o universo te vê ressonar. Não me acorde agora porque o longe é perto, se dissipou. Não te acordo agora, sou incapaz de enfrentar a fúria dos anjos. Não me desperte, não te desperto, seguimos. Assim. Sem fim. Sem nexo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sandra Lopes - Janeiro/2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


Sandra Lopes - 23/12/10
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sorreteiramente entrastes em minha vida. De uma maneira torta? Amizade, cumplicidade, alegria, sonhos, ilusões, desilusões, esperança, promessa. Chegastes nem tão depressa que assusta nem tão devagar que desanima. Frases soltas. Medo? Insegurança? Não. Excesso de autoconfiança, talvez.
Ei moço, não se alarme com meu jeito. Leia-me nas entre linhas. As atitudes não correspondem inteiramente aos fatos. Nem tudo é como parece ser. Sou fera ferida. Cicatrizes. Desculpas? Não. Autoproteção. De quê? Da dor, do medo, do desamor, da incompetência, da incompreensão.
Ei moço, não me julgues incapaz, não me julgues acomodada. Não me julgues.
Ei moço, não me prenda. Me surpreenda. Sou indomável, mas doce. Sou casca dura, mas coração mole. Uma contradição.
Ei moço, me entenda muito mais no silêncio do que na agitação. Decifra-me pelo olhar, retrato da minh'alma. Um enigma? Depende de tua sutileza. Complicada? Hei de ser. Uma prova à resistência. Valerá a pena? Quem é que sabe? Corremos o risco!
"Atitudes valem mais que palavras."
Sandra Lopes - 21/12/2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O Natal exerce um certo encantamento nas pessoas. Nos tornamos mais sentimentais, mais voltados para a família, para os amigos, para o ser humano. Defino a expressão verbal do momento: compartilhar. Compartilha-se alegrias, vitórias, derrotas, enfim, fazemos um balanço das nossas ações ao longo do ano prestes a findar. Esta não é uma visão pessoal, é o que observo a minha volta. Pessoalmente procuro me abstrair destas datas, aliás, nem lembro o que fiz, onde estava ou com quem estava no natal passado. Sou uma pessoa fria? Talvez. Julgue-me como quiseres. O que tenho a dizer a meu favor é que nem sempre foi assim.
Há muito não acredito em Papai Noel e na tal magia natalina, cada vez mais voltada ao consumismo. Preservo, sim, as memórias da infância. Infelizmente nem mesmo as crianças possuem mais a inocência que a data requer, o que querem, o que mais importa, é o presente ou os presentes, já não se contentam em ganhar qualquer coisa.
A infância é colorida, é cheia de sabores, tudo possui uma proporção diferente de quando somos adultos, pelo menos para mim é assim, e é por isso que digo: infelizmente as crianças de hoje são diferentes. Não as culpo, nem aos pais, os tempos é que são outros. É difícil se manter longe dos apelos consumistas. No entanto, seria cauteloso, ao meu ver, preservar ao máximo as nossas crianças de tudo isso. Vemos, hoje, miniaturas de adultos refletidas nas crianças. Cadê a pureza? Cadê a inocência? A fantasia?
Por muito tempo acreditei em cegonha, em Papai Noel, que as mães não erram, no coelhinho da páscoa e tanto mais. Atribuo a tudo isso a minha imaginação fértil. No tempo certo e, gradativamente, de acordo com minha maturidade fui ficando a par de tudo. Confesso: fiquei um tanto decepcionada, principalmente, com o fato de saber que as mães não são perfeitas, que erram como qualquer outro ser humano. Contudo, agradeço pela educação recebida, pela minha infância preservada.
Dias atrás subitamente desejei sentir novamente alguns sabores daquela época. Lembrei-me, com água na boca, do doce de laranja que uma tia fazia, e vem de lá essa preferência, mas ilusões a parte jamais vou comer igual. Não tendo o doce de laranja, me lembrei das jujubas, das maria-moles. Ah! As maria-moles, tão poucas para dividir com tantos irmãos. Ambicionava ter muito dinheiro para comprar muitas maria-moles. Qual criança hoje possui tal ambição?
Como essa vontade surgiu em horário inapropriado, pois não se vende maria-moles em qualquer lugar e a qualquer hora, fiquei esperando o dia amanhecer para ir atrás do meu objeto de desejo, e para minha surpresa as encontrei no primeiro lugar que entrei. Tão surpreso ficou, também, o vendedor diante do meu pedido e antes mesmo que me indagasse disse a ele que era pra mim mesma. Olhou-me desconfiado, pois nem aparentando grávida eu estava.
O que fazer fazer com tantas maria-moles? A primeira etapa eu já havia realizado com uma facilidade inesperada, o que já fez reduzir a vontade. O momento era solene, necessitava de estratégia. Simplesmente devorá-las. Não. Além disso havia a dúvida se mantinham o mesmo sabor, o sabor experimentado na infância. O desejo não era pelo doce. Não era pelo teor calórico; isso já demandaria um pouco de prudência. O real valor estava na memória, na saudade de outros tempos. Simplesmente devorá-las. Não.
Na dúvida, conservo as maria-moles da minha infância. Onde? Na memória inocente da criança que fui. E quanto as compradas permanecem aqui, objeto simbólico dos desejos de uma adulta buscando apego no que já lhe fez feliz.
Sandra Lopes - 20/12/2010terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Como manter a sanidade diante de tudo isso? Nós mulheres sentimos ainda mais na pele toda esta carga. Ainda hoje, temos que provar que somos inteligentes e competentes para disputar de igual pra igual com o sexo masculino o mercado de trabalho. Defendo que somos tão inteligentes e capazes quanto os homens. Mas, não é exatamente o que quero abordar.
A questão é que em algum momento deste processo de conquistar o nosso espaço, de alguma forma nos perdemos. Não estou supondo que devemos agir como as nossas avós ou até mesmo como nossas mães, as quais, muitas vezes, não tinham voz ativa nem na própria família. Refiro-me à alma feminina, que para mim, anda um pouco esquecida. A tal feminilidade caiu de moda. Vemos mulheres masculinizadas, não nos traços, mas nas atitudes. Não sei ao certo se poderia chamar de masculinizadas sem cair no conceito machista. Refiro-me à mudança de comportamento, de atitudes, da falta de delicadeza, dos traços gentis, da amabilidade.
Mesmo que a genética e até a própria história explique o comportamento masculino, o que não se justifica totalmente; concordo inteiramente com quem pensa que homens e mulheres devam ser diferentes, sim. Sermos diferentes não significa sermos dependentes. Sermos delicadas não significa que devemos ser “frescas”. Sermos amáveis não significa sermos otárias. Que fique claro.
O que me assusta, e acredito, anda assustando muitos homens também, é a forma forçada que muitas de nós queremos parecer “desencanadas”, moderninhas, independentes, não nos dando conta de que estamos dando um tiro no próprio pé. E dá-lhe seguir tendências de comportamento, de moda, de tudo.
Sem temer qualquer julgamento feminista, vou contra tudo isso. É, supostamente serei considerada antiquada. Porém, qual mulher não gostaria de se sentir protegida, amada, cortejada, e porque não, entregue aos cuidados do homem que ama ou venha a amar?
Não é à toa que muitos homens se sentem perdidos, sem atitude, sem iniciativa na tentativa de nos conquistar, pois, acredito eu, está muito difícil saber como agir para nos agradar.
Podemos ser pioneiras em muitas áreas, podemos lutar por direitos iguais, mas sem perder a ternura feminina. Não só podemos como devemos lutar por tudo isso, entretanto, não precisamos nos desfazer da nossa identidade. Não precisamos parecer mulheres fatais 24 horas por dia, não precisamos falar palavrões pra parecermos fortes, não precisamos nos vulgarizar em busca de companhia masculina.
Definitivamente, penso que, temos capacidade intelectual para fazermos tudo o que o homem faz, mas sem que dispensemos, metafóricamente, também, falando, o salto alto, a maquiagem e, porque não, a cinta-liga.

Sandra Lopes - Dez./2010





